
A música de Björk, tal como os filmes de Lars Von Trier, não é muito consensual. Ou se ama ou se odeia. O que não se pode deixar de valorizar é a originalidade como ambos se apresentam. Quando o realizador pensou o músical Dancer in the Dark pela primeira vez, Björk já estava na sua ideia. Ela era a actriz para este papel e caso não o aceitasse, o filme não seguia para a frente. Depois de o ver, percebe-se o porquê.
Singulares na forma e no conteúdo, as músicas de Selmasongs, são épicos que libertam em nós a esperança de algo melhor. Incorporam-nos no mundo de Selma e fazem dos dela, os nossos sonhos. Mas, por outro lado, têm um lado mais negro, de uma inerente fatalidade inevitável.
Selma cria as suas músicas e nós conseguimos revê-la nelas. Seja na euforia de Cvalda, na humildade de I've Seen It All ou na tristeza de 107 steps. Ou ainda pelo seu amor pelo musicais, presente, nomeadamente, na comovente interpretação de My Favorite Things de The Sound Of Music. Surge também acompanhada por Thom Yorke, vocalista dos Radiohead, que empresta a sua voz a I've Seen It All, uma das mais inspiradoras músicas alguma vez presentes no cinema.
Selmasongs é um organismo vivo, material e tão estranho como qualquer um dos seus protagonistas. A variedade de sons aproveitados do cenário que os rodeia, juntamente com a crueza das misturas electrónicas, dão vida a um membro fundamental de Dancer In The Dark. As canções. Björk e Lars Von Trier imaginaram e interpretaram da sua peculiar forma, um musical trágico. Ele na tela, ela no leitor de cds. Ambos em sintonia.
 |